Bate recorde a aceitação de comportamentos antes considerados imorais
Despenca a confiança na Igreja
Na
mesma semana em que a Suprema Corte dos EUA oficializou a união
homossexual em todo o país, uma pesquisa de opinião do Instituto Gallup
mostra que a sociedade hoje considera “aceitáveis” comportamentos que
antes rejeitava.
Antes
considerados como “tabu” e moralmente inaceitáveis, vários tipos de
comportamento foram, de certa forma, absorvidos e agora aceitos como
algo “natural”.
Por
exemplo, chegou a um índice recorde o apoio a relações de pessoas do
mesmo sexo, o nascimento de um bebê fora do casamento e sexo entre um
homem e uma mulher solteira. Há também uma crescente aceitação do
divórcio, da pesquisa com células-tronco e da poligamia, indica o
Gallup.
Se
em 2001, apenas 40% das pessoas disseram não ter problemas com as
relações gays, em 2015 o índice chegou a 63%, um aumento de mais de 50%
em 14 anos.
Em
2001, apenas 45% das pessoas diziam que ter um bebê fora do casamento
era aceitável. Agora a aceitação chega a 61%, um aumento de 16 %.
Sexo
entre um homem e uma mulher solteira era vista como moralmente
aceitável por 53% dos entrevistados em 2001. Agora 68% consideram isso
moral, um aumento de 15%.
A
aceitação do divórcio aumentou de 59% para 71 % desde 2001, um aumento
de 12%. Pesquisas com células-tronco eram aceitas por 52%, agora são
64%, um salto de 12%.
A
poligamia (ter mais de um cônjuge ao mesmo tempo) era “moralmente
aceitável” por apenas 7% das pessoas em 2001, agora mais que dobrou,
sendo aprovados por 16%, da população.
A
clonagem de seres humanos tinha igualmente 7% de aceitação em 2001,
chegando a 15% agora, mais de 100% de aumento. A clonagem de animais
variou menos, indo de 31 para 34%. O suicídio assistido por médicos
tinha aceitação 49% 14 anos atrás, alcançando o patamar de 56 % agora.
Cometer
suicídio passou de 13% para 19% na aceitação moral, um aumento de quase
50%. Aceitação moral do aborto aumentou de 42 para 45% desde 2001.
Um
aspecto com menor variação foi a pergunta “Você aceitaria que seu
cônjuge tivesse um caso?”. Somente 7% disseram que sim em 2001; 8%
aceitariam essa situação agora.
A popularidade da pena de morte foi a única que diminuiu. Tinha o apoio de 63% da população em 2001, caindo para 60% em 2015.
Diminui a confiança na Igreja
O
Instituto Gallup publicou outra pesquisa que mostra uma mudança
distinta na sociedade. Os americanos mostram ter o menor índice de
confiança na religião organizada da história.
Antes
considerada “um pilar da liderança moral na cultura da nação”, a Igreja
cristã – como religião predominante – estava em primeiro lugar na
confiança durante os anos 1980.
Lydia
Saad, autora do relatório divulgado recentemente, explica que ao se
falar em confiança, remete-se a “um juízo de valor sobre a forma como a
instituição é percebida, uma marca da quantidade de respeito que lhe é
devido”.
Houve um ligeiro aumento na confiança dos católicos, por exemplo, que parece ser devido à popularidade do Papa Francisco.
De
modo geral, igreja/religião agora está em quarto lugar na pesquisa do
Gallup. Fica atrás dos militares, empresas de pequeno porte e da
polícia. Atrás dela vem o sistema de saúde, o Congresso e a mídia.
“Quase todas as organizações perderam na confiança, mas a popularidade da religião caiu mais que todas”, disse Saad.
Na
primeira pesquisa do tipo, em meados da década de 1970, a confiança da
sociedade em geral na igreja ou religião organizada beirava os 70%. Em
2015, o índice é de apenas 42%.
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